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Cartilha Reparações

Secretaria de Genero, Raça e Etnia lança Cartilha Reparações
- Foto: Fernando de França

Movimento por Reparações lança cartilha e comitê no Rio

25/05/2010

Na foto, a cerimônia de lançamento da cartilha,
no Centro Afro-Carioca de Cinema

Foto: Fernando França

Por André Pelliccione, da Redação do Sindsprev/RJ

“As reparações são uma coisa diferente das ações afirmativas porque significam a luta coletiva dos povos negro e indígena. Não são uma mera reivindicação ou luta individual, como as ações afirmativas. O Estado brasileiro nos deve reparação porque a escravidão foi um crime contra a humanidade. Daqui pra frente temos que lutar de forma correta”, explicou Iedo Ferreira, durante a cerimônia de lançamento da Cartilha ‘Reparação Histórica, Contraponto das Ações Afirmativas’, que lotou o Centro Afro-Carioca de Cinema na noite dessa terça 25/05, lançando o Comitê de Reparações no Rio de Janeiro. Lembrando a Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1948, ele continuou a definição do conceito de reparações. “Na época — disse — a ONU definiu o que são crimes contra a paz e a humanidade. Crimes de ódio como o racismo, a discriminação e o colonialismo”.
“Nós, mulheres negras e indígenas, convidamos a todos para participarem do movimento por reparações. Estamos conscientes da nossa história. Vivemos a tragédia do nosso povo no dia a dia e sabemos que a libertação desse povo será obra de todos”, afirmou Regina Célia, também do movimento por reparações. 
Falando em nome de comunidades indígenas que participam da luta por reparações, o índio amazonense Carlos Tucano frisou o preconceito existente na sociedade contra seu povo. “O índio sempre é visto como um atraso ao desenvolvimento, uma barreira ao progresso. Precisamos de uma aliança e parceria para continuarmos essa luta. Mas não é para ficarmos de pires na mão frente ao Estado ou às autoridades, pois temos capacidade de apresentar nossas dores aos governantes”, disse, sob aplausos, para concluir: “Estou muito feliz por formar ideais junto com o movimento negro”.

Senegal define escravidão como ‘crime contra humanidade’

Jornalista senegalês que participa ativamente do movimento por reparações, Lansana Dabo falou sobre o significado da luta. “Inicialmente, em meu país o governo nem queria ouvir falar em reparações, mas depois avançou e hoje já existe uma lei que afirma serem a escravidão e o colonialismo crimes contra a humanidade. Na educação, do pré-escolar à universidade, também está sendo contada a história da escravidão e suas conseqüências nefastas. É a prova de que a reparação já começa a acontecer em alguns países”, afirmou ele, após lembrar que em 25 de maio de 1963 os países africanos criaram a União Africana para lutar contra o colonialismo.
Falando em nome da Secretaria de Gênero, Raça e Etnia do Sindsprev/RJ, Osvaldo Sergio Mendes criticou as tentativas de negar a existência do racismo e da discriminação. “Dizem que não há racismo ou crime de ódio, mas é tudo falácia. A verdade é que o Estado brasileiro tem uma dívida com os povos negro e indígena, dívida que precisa ser reparada, inclusive porque continuamos a ser vitimas de um crime continuado. Há pouco tempo, o governador Cabral Filho afirmou que as favelas eram fábricas de marginais. E na favela a maioria dos moradores é negra, como negra é a maioria dos pobres brasileiros”.
O lançamento da Cartilha foi aberto pela apresentação de Zózimo Bul Bul sobre o trabalho que realiza à frente do Centro Afro-Carioca de Cinema, pólo alternativo de produção cultural que organiza os 'encontros de cinema negro Brasil, África e América'.

Como é a cartilha de reparações

Com texto de Yedo Ferreira, a cartilha foi editada e impressa na gráfica do Sindsprev/RJ e traz, como apêndices, documento da I Conferência Pan-Africana sobre Reparações pela Escravização Africana, Colonização e Neo-Colonização;e a poesia ‘Chora, ó negro irmão bem amado’, de Patrice Lumumba, fundador do Movimento Nacional Congolês (MNC) — leia abaixo.
 A Cartilha é um excelente instrumento para todos aqueles que desejam conhecer a origem, os conceitos e os fundamentos políticos do Movimento por Reparações Históricas aos povos negro e indígena, apresentando as principais questões em debate sobre o tema no mundo atual, incluído no sub-item: ‘Reparação: Novo Desafio para Negras e Negros do Brasil’.

Saiba quem foi Patrice Lummumba

Patrice Lummumba nasceu a 02 de julho de 1925 e faleceu em 17 de janeiro de 1961. Fundador do Movimento Nacional Congolês – MNC – em 30 de junho de 1960, proclamou a independência do Congo, antigo Congo Belga.
Patrice Lumumba era um orador infatigável, seduzindo as multidões, mas ele tinha igualmente consciência da força da palavra escrita e do papel da imprensa. Marcado pela literatura negro-africana, publicou, em setembro de 1959, este que é o seu único poema no jornal Independence de sua organização política, o Movimento Nacional Congolês.
Neste dia 25 de maio de 2010, data da libertação da África do colonialismo europeu e dos 50 anos da Proclamação da Independência do Congo, no dia do Lançamento do livro REPARAÇÃO HISTÓRICA CONTRAPONTO DAS AÇÕES AFIRMATIVAS, Patrice Lumumba não poderia deixar de ser homenageado com esta publicação de seu poema, uma vez que é considerado mártir da luta pela libertação da África, luta contra o colonizador europeu, condenado hoje pela comunidade mundial a reparar os crimes da história, crimes contra a humanidade.





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