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Caminhada Rua Teresa - Petrópolis

Servidores da saúde e da educação de Petrópolis fazem passeata pela rua Tereza, explicando à população as razões que levaram à retomada de sua greve por tempo indeterminado
- Foto: Fernando de França

Passeata em Petrópolis denuncia intransigência da Prefeitura

21/06/2010

Por André Pelliccione, enviado a Petrópolis

Foto: Fernando França

Em greve por tempo indeterminado desde o dia 17/06, os servidores da saúde e da educação de Petrópolis fizeram, no último sábado, manifestação de protesto contra a intransigência do prefeito Paulo Mustrangi (PT), que suspendeu as negociações com as duas categorias. Concentrados na praça Paulo Carneiro, os servidores saíram em passeata pela rua Tereza, explicando à população as razões que levaram à retomada de sua greve por tempo indeterminado. Uma carta assinada pelo movimento unificado do funcionalismo foi distribuída aos moradores e visitantes de Petrópolis, com denúncias sobre o contingenciamento de verbas do município. Segundo o documento, dos R$ 236 milhões do orçamento previstos para o pagamento dos servidores, a Prefeitura só utilizou R$ 188 milhões, restando R$ 44 milhões contingenciados (não executados). A carta também cobra explicações e transparência sobre os contratos firmados entre o município e entidades de direito privado, pedindo à população que pressione a Prefeitura a atender às reivindicações dos servidores pelo envio de e-mails ou telefonando diretamente para Mustrangi.
“Hoje a saúde e a educação de Petrópolis estão em greve por culpa única e exclusiva do prefeito Paulo Mustrangi, que se negou a considerar a contraproposta dos trabalhadores. Não será por causa da greve que as pessoas ficarão sem atendimento, pois sabemos que as emergências continuam funcionando. Se alguém fica sem atendimento, é por culpa da prefeitura, que sucateou a rede de saúde e deixou faltar pessoal nas unidades, como acontece no Hospital Nelson de Sá Erp”, falou, durante a passeata, a servidora Ester Mendonça.

Apoio da população e comerciantes à greve

No carro de som postado à frente da passeata, os servidores puseram um pequeno caixão, no interior do qual se lia a frase ‘é a prefeitura que morreu’, para simbolizar o que classificam de ‘decadência’ da atual administração municipal. “Nem os 15% previstos na nossa contraproposta recuperam o valor de compra do nosso salário. Por isso que não aceitamos a insistência do prefeito nos 5%. Nossas condições de trabalho nas escolas também são precárias, sobretudo na periferia de Petrópolis. Estamos na greve porque não fomos contemplados e agora pressionamos pela reabertura da negociação”, disse a agente de apoio à educação infantil Claudete Bernardo, lotada na Mosela (creche infantil do município).
Além de turistas, ao longo da rua Tereza a passeata recebeu inúmeras manifestações de solidariedade de comerciantes da área. Há 30 anos na rua Tereza, a lojista Eliane Pereira (a Lili) pegou o microfone para expressar seu apoio à luta dos servidores. “É uma vergonha o que vivemos hoje. No transporte, na saúde, na educação, Mustrangi mentiu em tudo porque não cumpriu o que prometeu na época das eleições. A luta de vocês é mais do que justa”, disse, sob aplausos.
A passeata foi concluída com duas paradas no bairro Alto da Serra. A primeira, no Posto de Saúde Leandro Sampaio; e a segunda, na Escola Municipal Vereador José Fernandes. Servidores criticaram, no carro de som, a intenção da prefeitura de fechar o pronto socorro do posto Leandro Sampaio e criar, ali, um centro especializado de fisioterapia, o que, de acordo com os trabalhadores da saúde, não é a maior necessidade da população, que sofrerá com o fim da emergência.
Desconsiderada pela prefeitura, a contraproposta apresentada pelos servidores no dia 11 de junho prevê 15% de reajuste sobre os salários já equiparados ao mínimo de R$ 510,00; incorporação de dois abonos de 100,00 para todos os servidores; comissão paritária para elaboração do Plano de Cargos, Carreiras e Salários; e PCCS unificado para a Educação.
As duas categorias continuarão realizando atos públicos e manifestações para pressionar a prefeitura a reabrir o processo de negociação.

 





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