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Política  

Central Sindical e Popular nasce no Conclat como nova ferramenta de luta dos trabalhadores

24/06/2010

Mesa e plenário do Conclat, em Santos - SP: momento histórico
Foto: Fernando França

Por André Pelliccione, da Redação do Sindsprev/RJ

Está criada a nova central dos trabalhadores. Após dois dias de intensos debates (5 e 6 de junho) com a presença de 4.150 pessoas de todo o país, entre delegados, observadores e convidados, o Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat) referendou a Central Sindical e Popular (CSP). Reunindo o acúmulo das experiências de diversas entidades nacionais do movimento sindical, popular e da juventude de trabalhadora e estudantil, a nova central será, por essa mesma razão, ferramenta de luta com superior capacidade de organizar e representar o conjunto da classe em toda sua complexidade — trabalhadores formais, informais, precarizados, terceirizados —, movimentos sociais (sem-teto, sem-terra, meio-ambiente), juventude (operária, popular, estudantil) e opressões (negros, gênero, etnia) no campo e nas cidades.
Com relação à juventude, o Conclat aprovou a realização de Encontro Nacional em 2011, com juventudes operária, popular e estudantil, esperando aí definir a política da nova central para a juventude.

Plano de lutas contra neoliberalismo

 O Conclat aprovou um plano de lutas com itens como a defesa da previdência e dos serviços públicos, todo apoio às greves, reajuste salarial, redução da jornada sem redução de salário, reforma agrária, contra a criminalização dos movimentos sociais, pela retirada imediata das tropas brasileiras do Haiti e que os trabalhadores não paguem pela crise capitalista, entre outros eixos.
 No Conclat foram apresentadas 20 teses das diferentes forças que participaram da sua construção, com análise da atual conjuntura e os desafios para a classe trabalhadora. Foi aprovada a tese de que a nova central, sobretudo nas eleições presidenciais, se posicione com um programa anticapitalista, no combate a governos e patrões, denunciando as candidaturas burguesas e a falsa polarização promovida por elas, como a disputa Serra-Dilma-Marina.

Soma de experiências e patamar superior de luta

 “Garantimos a unidade a partir da soma de experiência dos setores que compõem a nova central. Experiências de resistência ao governo Lula, que em muito contribuíram para a reorganização dos trabalhadores. A nova central possibilitará, por essa razão, nos organizarmos num patamar político superior”, avaliou a diretora licenciada do Sindsprev/RJ e militante do MTL (Movimento Terra Trabalho e Liberdade) Janira Rocha.
 “Nosso maior desafio é organizar a classe trabalhadora nos campos, nas fábricas, escolas. Mas  não podemos repetir os erros da CUT, que achava que os sindicatos tinham de fazer luta econômica, ficando a luta política para os partidos”, disse uma das dirigentes participantes.

Vitória da classe trabalhadora

 “Esse Congresso e o debate que fizemos aqui é uma vitória da classe trabalhadora que acontece numa conjuntura extremamente adversa. Nossa Central não poderá ser apenas uma propaganda do socialismo, mas terá que se inserir nas lutas cotidianas do povo pobre das favelas e periferias. Terá que saber como se comunicar com o povo, rompendo com a lógica do sindicalismo tradicional, o hegemonismo e o burocratismo”, completou João Batista da Fonseca, dirigente nacional do MTL em Minas Gerais. Para ele, além de assumir a bandeira da reforma agrária, a nova central tem que ‘chamar o MST a romper com o governo Lula’.
 “Sigamos com a luta e a unidade para além dos milhares que estão aqui porque, aqui, representamos milhões. Podemos dizer à nossa base que daqui pra frente existe algo novo para a classe trabalhadora”, afirmou Atenágoras Lopes, da Conlutas e militante do PSTU.
 Realizado no Mendes Convention Center, em Santos – SP, o Conclat teve 3.115 delegados, 795 observadores 140 convidados nacionais e internacionais.
 Infelizmente, a definição do nome da nova central gerou grande polêmica, cuja conseqüência foi a retirada de parte importante do plenário.

Polêmica sobre o nome levou Intersindical a retirar delegados

 A grande polêmica aconteceu pouco antes de concluída a plenária final do Conclat, no dia 6/06, quando a Intersindical manifestou sua discordância em relação ao nome da nova central: Conlutas-Intersindical, central sindical e popular. A crise estabelecida levou à suspensão dos trabalhos, por cerca de uma hora, com a retirada dos delegados da Intersindical para realizarem uma plenária de seus militantes. Na retomada dos trabalhos, a plenária final do Conclat referendou o nome Conlutas-Intersindical (CSP) e elegeu uma secretaria nacional executiva provisória com 21 membros, que em dois meses convocará reunião da coordenação nacional para discutir a recomposição da executiva, garantindo o espaço da intersindical nas instâncias de direção da nova central. “Nós apresentamos esse nome [Conlutas-Intersindical CSP] para valorizar as organizações que compõem majoritariamente a nova central, mas também em respeito às outras organizações — como MTL, MTST, MAS, Pastoral Operária — que continuarão a existir enquanto tais. A tradição de todas elas é a nossa tradição. O que deixará de existir enquanto tal é a Conlutas e Intersindical, agora na nova Central”, explicou Zé Maria (PSTU).
 A plenária foi encerrada com uma emocionada execução da Internacional e um chamamento à unidade dos trabalhadores na luta contra o neoliberalismo.
 
Estrutura permitirá maior controle da base sobre a direção

Em sua estrutura e funcionamento, a Conlutas-Intersindical CSP tem o seu congresso nacional como instância máxima, que se reunirá a cada dois anos. No intervalo entre os congressos, a central será dirigida por uma coordenação nacional composta por representantes das entidades, oposições, minorias e movimentos que fazem parte de sua construção. Nessa coordenação, cada entidade terá um peso político (ou número de votos) proporcional ao tamanho da base social que efetivamente representa. Subordinada à coordenação nacional ficará a secretaria executiva nacional, composta de 27 titulares e 8 suplentes — o Conclat elegeu uma secretaria provisória com 21 membros (leia nesta edição). Todas as decisões da coordenação nacional e secretaria executiva da Conlutas-Intersindical CSP serão tomadas por dois terços de seus membros.
 Além de expressar o real peso das entidades no interior da nova central, essa estrutura de funcionamento permitirá maior controle da base sobre suas instâncias de direção, evitando o burocratismo que tanto deformou o sindicalismo cutista.
 Com relação aos estatutos, o Conclat indicou que serão feitas modificações num próximo encontro, a partir da reflexão e contribuição dos trabalhadores organizados na base da central.






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