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Política  

Suposto ‘progressismo’ esconde o caráter reacionário da candidatura Marina (PV)

26/08/2010

A ex-ministra Marina Silva (PV), que nestas eleições reedita o 'governar para todos' do PT
Foto: ABr

O suposto ‘progressismo’ da candidatura de Marina Silva (PV) à presidência da República esconde, na verdade, um grande reacionarismo da ex-ministra do meio ambiente e das forças políticas que a apóiam. Diferentemente dos demais candidatos ao cargo, Marina e seus apoiadores vêm se notabilizando por discursos cuja principal característica é a negação da existência de contradições na sociedade.

Essa ‘quimera reacionária’ da candidata verde ficou patente durante sua participação no debate dos presidenciáveis promovido em agosto pela BAND, quando, negando as irreconciliáveis contradições de classe existentes na sociedade brasileira, esforçou-se por afirmar que, em seu governo, haverá ‘lugar para todos’. Como se banqueiros, latifundiários, empresários do agronegócio, industriais e grandes empresas tivessem os mesmos interesses e objetivos do que a grande massa da população trabalhadora, numa reedição do velho e já surrado ‘governar para todos’ defendido pelo PT em todas as eleições dos anos 90, e que resultou no caráter conciliador e neoliberal do atual governo.
No debate da BAND, a insistência de Marina nessa postura foi tanta que o candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, ironizou a ex-ministra, denunciando o caráter reacionário de seu discurso.

Cumpre ressaltar que, teórica e conceitualmente, o termo ‘ideologia’ significa ‘falsa consciência do real’, e que escamotear ou mascarar as contradições realmente existentes na sociedade sempre foi característica dos mais reacionários discursos na história da humanidade, começando pelo discurso burguês clássico, mas não só por ele. Durante a Ditadura Civil-Militar brasileira, por exemplo, a ideologia do ‘Brasil Grande’ e do ‘Ame-o ou Deixe-o’ instava a população a se unir em torno de uma suposta alavancagem nacional expressa no bordão ‘ninguém segura este país’. Outro exemplo está no próprio discurso da direita clássica no Brasil, que, ao acusar os comunistas por perturbações e instabilidade social, sempre atribuiu essas últimas à suposta ‘importação de ideologias alienígenas’, em referência ao marxismo-leninismo. Em outras palavras, como se as contradições existentes na formação social brasileira não fossem autóctones ou nascidas aqui mesmo, mas importadas e artificialmente ‘trazidas de fora’ por ‘agitadores sociais profissionais’.

Pior, contudo, do que o discurso que escamoteia o processo de nascimento das contradições é aquele que nega as próprias contradições. Neste sentido, Marina é mais reacionária que as outras candidaturas e nem mesmo José Serra (PSDB) ou Dilma Roussef (PT) foram tão longe em termos de conservadorismo político. Representante do agronegócio, dos grandes industriais e das forças mais organicamente vinculadas ao capital nacional e internacional, o candidato tucano, por mais que se esforçasse em parecer neutro ou ‘acima das contradições de classe’, já teve, em certo momento, que admitir sua intenção de atacar o Movimento Sem-Terra e impedir suas ocupações, caso eleito. Dilma, por sua vez, também já sinalizou, em algum momento, os limites político-institucionais de seu programa de governo, apesar de se apresentar com um discurso diferente para cada público, seja de empresários ou trabalhadores. É que as pressões objetivas das próprias contradições na sociedade forçam esses candidatos a assumirem as verdadeiras posições da classe social e dos interesses materiais que representam, numa situação-limite impossível de escamotear.

Marina, porém, é a que mais insiste em afirmar que, no seu governo, haverá ‘lugar para todos’, aconteça o que acontecer. Essa posição reacionária é a mesma que leva a candidata a dizer que, em seu governo, será possível a conciliação entre a voracidade do agronegócio e um suposto ‘desenvolvimento sustentável’. Como se a lógica predatória do capitalismo atual fosse domesticável ou possível de ser direcionada para outros fins que não a intensa busca por lucro e produtividade, às custas da vida e do meio ambiente.

É preciso ter cuidado com os lobos em pele de cordeiro. Nem sempre é ouro aquilo que nos seduz. Marina, ao contrário do que supõe o senso comum ou a badalação de setores pseudo-intelectuais da classe média em torno de seu nome, é uma conservadora empedernida e, como tal, em nada difere do neoliberalismo de Dilma, Serra, Eymael ou outras candidaturas a serviço do capital.






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