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Política  

Eleições presidenciais 2010 são as mais despolitizadas dos últimos 21 anos

04/10/2010

Foto: ABr

Por André Pelliccione, da Redação do Sindsprev/RJ

Até o momento, a eleição presidencial deste ano tem se notabilizado como a mais despolitizada desde o primeiro pleito após a abertura, realizado em 1989. Além da falsa polarização entre Dilma (PT), Serra (PSDB) e Marina (PV) — que convergem no essencial quando o assunto é a implementação do projeto neoliberal, embora com nuances — a eleição desde o início foi marcada pela completa ausência de debate programático e/ou conceitual sobre temas que realmente interessam à sociedade e aos trabalhadores, como geração de empregos, segurança pública, saúde, educação, reforma agrária, reforma urbana, reforma política, o tipo de inserção do Brasil na economia mundial, as políticas para o serviço público e legalização do aborto, entre vários outros.
Nas ocasiões em que alguns desses temas foram abordados durante a campanha, isto aconteceu somente de forma superficial e, no mais das vezes, fragmentária, sem que o eleitor os percebesse como parte de um programa de governo conseqüente. Foram esses, por exemplo, os casos em que Dilma falou genericamente da ‘necessidade de gerar empregos’, ou quando Serra propôs a criação de centenas de escolas técnicas país afora. Ou ainda quando Marina defendeu sua proposta de ‘desenvolvimento sustentável’ e ‘economia verde’, sem que, até agora, a grande maioria da população tenha compreendido o que tais termos significam. 

Busca da paz como 'quimera reacionária'

Excetuando-se Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), Zé Maria de Almeida (PSTU), Ruy Costa Pimenta (PCO) e Ivan Pinheiro (PCB), o discurso dos demais candidatos a presidente também foi marcado, no primeiro turno, por uma grande ênfase genérica na ‘necessidade de se buscar a paz’, apesar de nenhum deles ter aprofundado a questão da segurança pública ou problematizá-la em determinados aspectos. A princípio, nada contra a busca da paz, mas o que se tratou, nos casos em tela, foi de uma ênfase quase obsessiva na urgência de ‘construir uma sociedade de paz’, como se o Brasil, com sua perversa e injusta estrutura de classes, fosse uma ‘igreja’ ou coisa parecida. Como se a formação social brasileira não estivesse fundada em maciças doses de violência (institucional e mesmo física), promovidas pelo Estado a serviço do sistema dominante, conforme atesta a brutalidade da repressão policial contra as populações pobres e negras das favelas e periferias. Em suma, um discurso reacionário, disfarçado de preocupações humanitárias para, assim, escamotear as contradições inconciliáveis sobre as quais se funda nossa injusta ordem social. A cada ano, 50 mil pessoas morrem no Brasil vítimas de situações como homicídio, balas perdidas e abusos da autoridade policial, entre outros, o que, inclusive, impõe a necessidade de reparação histórica às populações atingidas. Nem Dilma, nem Serra, nem Marina, Eymael ou as outras candidaturas burguesas mencionaram tal fato.

Por um amplo debate de idéias no segundo turno

Espera-se que, no segundo turno, aconteçam os debates programáticos tão abortados durante o primeiro. Eleições gerais, mesmo burguesas, não devem ser marcadas pelo signo da pressa e do açodamento quando o que está em jogo são os destinos do país. Não devem ser decididas rapidamente, e sem reflexão, mesmo quando o debate se circunscreve aos limites e parâmetros pré-estabelecidos pelo ideário neoliberal, tais como a ‘inviolabilidade da propriedade privada’, o endeusamento da ‘livre iniciativa’, o ‘não questionamento do superávit primário’ ou dos ‘lucros do sistema financeiro’, entre outros mantras dos ‘chicago boys’ recitados à exaustão nos últimos 25 anos.
A disputa entre Dilma Roussef e José Serra será, em essência, para ver qual dos dois se credencia, perante as classes dominantes, como ‘gerente’ do projeto e das políticas neoliberais no Brasil, o que aliás tem marcado a história e as relações entre PT e PSDB ao menos desde 1998, comprovando que os dois partidos têm muito mais em comum do que divergências de fundo no campo ideológico.
No teatro montado pelas classes dominantes (latifúndio, agronegócio, banqueiros, grandes industriais, redes de comunicação) para a disputa neste segundo turno, mais uma vez o sistema de poder tentará produzir, nos eleitores, a sensação (obviamente falsa) de que ‘as coisas realmente vão mudar’, embora sem sobressaltos, alterando a política neoliberal apenas no que lhe é cosmético, e nada mais. Em outras palavras, algo como a máxima de Tancredi, personagem do romance ‘O Leopardo’, de Tomasi de Lampedusa (1986-1957), quando afirma: “Se queremos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude. Fui claro?”.






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