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Cultura  

‘Só Preto Sem Preconceito’ vem com força total no novo CD 'Um Vencedor'

12/08/2010

Na foto, da esquerda pra direita, Cimar, Rodrigo, Paulinho e Reginaldo
Foto: Fernando França

Completando 25 anos de estrada e durante algum tempo afastado da mídia,  o grupo ‘Só Preto Sem Preconceito’ vem com força total em seu 13º disco, o CD ‘Um Vencedor’, cujo lançamento acontecerá em breve. Uma das principais referências do samba e pagode no país, o Só Preto atualmente é formado por Jocimar dos Santos, o Cimar (tantan de marcação), Reginaldo Leandro (pandeiro), Rodrigo Batista (voz) e Paulinho Cruz (violão). Em agosto, eles conversaram com o jornalista André Pelliccione, a quem falaram sobre o novo disco e um pouco de sua história.

Jornal do Sindsprev/RJ – como está hoje a vida do Só Preto, que é um nome bastante conhecido do povão? Como está o mais recente trabalho?

Paulinho – nosso último trabalho foi o CD ‘Lua de Poeta’, lançado em 2008, mas nossa grande expectativa mesmo é com relação ao próximo CD, ‘Um Vencedor’, que está ‘no prelo’, em fase final de produção. A música de trabalho [Um Vencedor] está tendo muito boa aceitação de público. No momento  estamos elaborando e decidindo como será a capa do CD, que tá muito legal. 

Cimar – esse trabalho atual está sendo maravilhoso para o grupo e já foi até pra FM O DIA. Nos shows, vemos que graças a Deus o pessoal não esqueceu da gente e lembra sempre do Só Preto. Se um dia nos esquecessem, estaria tudo acabado.

JS – como está a atual agenda de shows do grupo?

Reginaldo – tá legal. Estamos fazendo o ‘botequim do Império’, aos sábados, uma atividade que estava parada e agora voltou com o Só Preto. Lá tem roda de samba da melhor qualidade, a partir das 15h30. Em breve faremos shows em Recife e São Paulo. Uma coisa legal é que, nos shows, a nova formação do grupo também vem agradando bastante.

JS – o Grupo foi fundado em 1984 e, de lá para cá, emplacou grandes sucessos que marcarão para sempre sua história, como ‘Viola em Bandoleira’ e ‘Insensatez’, entre outros. Como vocês vêem essa trajetória e qual a origem do nome Só Preto?

Paulinho – na época de fundação do Só Preto, a galera tava engatinhando e a dificuldade maior era de obter instrumentos. Depois a gente tocava em barzinho, no futebol, e a coisa foi tomando corpo até que, em 1986, a EMI estava fazendo uma coletânea e sugeriu que o grupo participasse, com Viola em Bandoleira, uma música que depois muita gente gravou, inclusive o Fundo de Quintal. Na época, todo muito curtiu e ficamos muito feliz com isto.

Cimar – na carreira lançamos 12 discos, contando os de vinil. O primeiro vendeu 125 mil cópias, conquistando o disco de ouro.

Paulinho – quanto ao nome ‘Só Preto’, o batismo já vem de Deus, pois nascemos todos da cor da natureza. Somos felizes por termos nascido negros. Foi só acrescentar um detalhe, ‘Só Preto’, e o Sem Preconceito veio depois para não chocar as pessoas, pra não ficar uma coisa agressiva. Com o passar dos anos, várias pessoas já passaram pelo grupo e a gente foi conquistando o nosso público no Brasil inteiro, sem preconceito. Já tocamos até no exterior, nos Estados Unidos (Nova Jersey e Miami) e em Angola, com Martinho da Vila. Estou certo de que tem muito mais pra acontecer.

JS – Os anos de 1984 e 85 foram marcantes para o samba e o pagode em geral, quando estouraram nomes como Zeca Pagodinho, Jovelina Pérola Negra, Almir Guineto, Fundo de Quintal e vários outros. O que mudou de lá pra cá no formato do samba e do pagode? Houve tentativas de produzir o pagode e pasteurizá-lo?

Reginaldo – antes o samba era mais percussão e os músicos ‘mandavam mais’, mas agora tem mais coisas, o cavaco, a cuíca, que voltou, o banjo, que estava afastado. Também tem mais presença do violão, do reco-reco e do próprio pandeiro. Durante um tempo o pagode ficou muito elitizado porque estavam fazendo ‘samba de orquestra’. Mas samba não é orquestra. Samba é samba, é cavaco, violão, pandeiro e tantan.

JS – desde o final dos anos 90 há uma espécie de revigoração do samba e a maior prova é o renascimento da Lapa e das rodas de samba, que estão bombando. Como isto ajuda o trabalho de vocês? Qual a perspectiva desse movimento?

Cimar – tem muita garotada curtindo, muito jovem curtindo a Lapa e a noite porque está se identificando com o samba, que não tem limite de idade e é sempre atual. Acho maravilhoso ver muitas casas que continuam tocando sambas antigos, fazendo as pessoas gostarem do gênero ainda mais. Para o ‘Só Preto’ isto é ótimo porque somos um grupo com muita estrada, cujas músicas serão sempre atuais, não importa quantos anos se passem.

JS – como é a criação dentro do grupo? Quem compõe? Quais são as parcerias de vocês?

Paulinho – aqui tudo é muito democrático. Eu tive parceria com o Fernando, que já não faz parte do grupo, com o Lourenço, parceiro do Alexandre Pires. O Reginaldo teve parceria com o Délcio Luiz. O Rodrigo é que não gosta muito de escrever, mas deveria.

JS – você, Reginaldo, tem reclamado muito do som ultimamente. A técnica de som existente hoje no país não é satisfatória?

Reginaldo – às vezes reclamo porque um bom trabalho tem que ter um bom som. Não adianta chamar o artista e botar um som sem qualidade. O som tem que ser bom. Na MPB só haverá coisa boa se tiver um bom som. Caso contrário, não terá qualidade em nada. Alguns músicos se acomodam diante de um som sem qualidade quando deveriam fazer o contrário. Afinal, o som é a alma do trabalho.

JS – por que o Só Preto ficou fora da mídia por tanto tempo?

Cimar – em termos de gravadora, estamos no momento em negociação. Recentemente assinamos contrato com dois empresários. Ficamos algum tempo fora da mídia porque, quando você não toca no rádio, você fica fora mesmo. Mas graças a Deus o trabalho não parou. Os shows continuaram e agora estamos cada vez mais em evidência, incluindo o rádio.

Paulinho – para mim, uma das causas dessa situação é que veio a nova tecnologia e com ela a pirataria, o que prejudicou muitos artistas. Aí as gravadoras ficaram algum tempo sem querer contratar mais porque elas deixaram de ganhar. Uma coisa levou à outra. Ouço falar que estão com idéia de voltar com o vinil. Naquela época não se ouvia falar de pirataria. Vendíamos nossos vinis e tudo bem. Cadê o Emílio Santiago, uma das maiores vozes? Cadê ele? Esses artistas não podem ficar fora da mídia.

JS – o Rio de Janeiro tem uma tradição de rodas de samba de improviso com versos e partido alto. Vocês costumam versar também?

Reginaldo – é bonito ver artistas como Zeca, Arlindo Cruz, Sombrinha, Chuchu de Rocha Miranda e vários outros que até se foram, como Jovelina, versando no samba. Para nós, que crescemos ouvindo essas feras, é uma questão de estilo. Há outros grandes versadores como Deni de Lima, Neguinho da Beija Flor, Juninho, Leandro Di Menor, Marquinhos Satã, Renatinho Partideiro.

Paulinho – é mesmo. São estilos, é como os repentistas. São esses feras que o Reginaldo citou. Se você não souber versar, não entra ali que haverá problema.

JS – como vocês definem a atual música de vocês? É romântico? E que bandas da nova geração e compositores que você gostariam de estar gravando?

Rodrigo – é uma mistura de cada coisa porque, no próximo disco, temos partido alto, que é a identidade do Só Preto, tem músicas românticas, regravações românticas tocadas pelo Jocimar e um sambinha pra rádio, falando da adoração por Deus e do respeito que a gente tem.

Paulinho – quanto aos compositores de que gostamos, tem o Claudemir, André Renato, Tiaguinho do Exaltasamba, Márcio Paiva do Jeito Moleque.

JS – no início o samba era muito discriminado. A própria Portela, a partir de 1935, não pôde mais utilizar seu nome original, que era ‘Vai como pode’, porque a Polícia não deixou. De lá pra cá muita coisa mudou e o samba virou Cult, não é mesmo?

Paulinho – é verdade. Hoje achamos legal a comemoração anual do pagode do trem, no dia 2 de dezembro. Quando pudermos, nós do Só Preto vamos participar porque é muito legal essa comemoração, que marca uma data importante para todos nós e para o povo em geral. O samba cada vez mais deve ter seu espaço ampliado. O samba merece.

JS – para vocês, quais são as melhores músicas do Só Preto?

Paulinho – para mim, tem ‘Viola em Bandoleira’, ‘É tanta’ e ‘Um Vencedor’, do novo trabalho. Tem também ‘Quem ta duro reza pra chover’ e ‘Insensatez’. Com a nossa música queremos conquistar cada vez mais o público.

Rodrigo – Gosto muito de ‘Um Vencedor’ e ‘Bicho Solto’.

Reginaldo – Para mim, é ‘Outra Viagem’.

Novo CD traz 13 faixas do melhor samba e pagode com swing

Com direção de produção de Bira Haway, o novo CD do Só Preto Sem Preconceito contém 13 faixas do melhor samba e pagode, com partido alto e o swing da banda que vem cada vez mais conquistando o público em suas apresentações pais afora. Uma das faixas é pout-pourri com três sucessos consagrados da banda (Presta Atenção, Viola em Bandoleira e Puro Sangue). Contatos para shows do Só Preto podem ser feitos pelo telefone 21-94301004 (Arnaldo). Para informações adicionais, acessar o site do grupo (www.sopretosempreconceito.com.br).


As músicas do novo álbum:
1 - Um Vencedor
2 - Amiga
3 - Condenado por Amor
4 - Adoro você
5 - Festa no gueto
6 - Miragem
7 - Na hora H
8 - Outra Viagem
9 - Rico de paz
10 - Lição de paz
11 - Pra não me ver chorar
12- Nossa bossa
13- Pout-pourri


Um Vencedor
(Só Preto Sem Preconceito)

Nunca fui além do alcance das mãos
sou bem consciente eu tenho os pés no chão
sempre passo a passo
não erro a direção
o dom que eu tenho foi Deus quem me deu
o milagre da vida cada um ganha o seu
sempre passo a passo
não erro a direção
eu...
já vi gente de bem em busca do poder por aí se perder
quando a ambição é dosada até gente sem posse consegue se erguer
foi assim que aprendi a viver
pra Deus: não há distinção cada ser tem o mesmo valor
só Deus: é quem pode julgar com justiça quem é pecador
com Deus: sou uma fortaleza e tenho a certeza que sou um vencedor
um vencedor eu sei que sou.






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