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Geral  

‘O mais importante é um atendimento humanizado', afirma gestor do Carlos Chagas

19/04/2013

O diretor-geral do Hospital Estadual Carlos Chagas, Max Kopti Fakoury, que fala sobre seus planos na gestão da unidade

Foto: Fernando França

 

 

À frente da direção-geral do Hospital Estadual Carlos Chagas desde outubro de 2012, o médico Max Kopti Fakoury (foto) fala da experiência de implantar uma gestão baseada no respeito a servidores e pacientes.

Pergunta – como o Sr. vê a gestão hospitalar na atualidade e o que fazer para melhorá-la, dada a tensão existente no relacionamento entre gestores e servidores ?

Max – eu costumo dizer que eu estou gestor porque, antes de qualquer coisa, eu sou servidor, nomeado para gerir esse hospital. Qual o objetivo que eu tenho de ter aqui? Tenho de agradar ao usuário. O profissional de saúde tem que atender com qualidade e, para que isso aconteça, eu tenho que dar a esse profissional os instrumentos necessários. Então, se a minha finalidade é fazer com que o usuário tenha sua dor amenizada, eu devo fazê-lo de forma ampliada, dando recursos aos colegas e servidores para que façam a mesma coisa. É com essa filosofia que eu trabalho e os servidores do Hospital já entenderam isso, apesar de termos dificuldades como superlotação, sobrecarga. Nessa perspectiva, o relacionamento com os trabalhadores tende sempre a melhorar, de forma crescente.

Pergunta – direta ou indiretamente, isso traz consequências positivas para o atendimento?

Max – sem dúvida que traz. Veja bem. Aqui no Hospital eu não tenho obrigação de ter o melhor recurso do mundo, mas devo proporcionar o melhor atendimento possível com os recursos que tenho. Tudo para que o atendimento fique o mais próximo possível de uma atenção integral. O que não adianta é reclamar que chega muita gente para ser atendida. É assim que eu trabalho com as equipes do Hospital, com parceria e companheirismo, procurando oferecer o máximo possível de atenção ao usuário.

Pergunta – quais são os problemas mais prementes do Hospital Carlos Chagas que o Sr., na sua gestão, pretende superar?

Max – o que precisamos é primeiro organizar a questão dos recursos humanos [RH]. Digo isso porque vivemos um panorama de muita mudança, marcado pela saída de cooperativas, entrada de fundação e organizações sociais [O.S.]. Enfim, com essas mudanças e esse troca-troca, fica difícil manter um mesmo grupo de servidores, um mesmo time. Esse talvez seja o maior problema no momento porque, com as constantes mudanças, eu preciso estabilizar e montar as equipes novamente.

Pergunta – como o Sr. planeja suas ações administrativas no dia a dia?

Max – em termos de planejamento, não há um setor do Hospital Carlos Chagas que hoje funcione de maneira independente. Atualmente, estamos trabalhando do arquivo, do prontuário ao faturamento, passando pela assistência, pela equipe de enfermagem. Enfim, não há um só setor que não tenhamos mexido para proporcionar o pleno funcionamento do hospital. Um exemplo concreto do que afirmo está no arquivo, que, em alguns hospitais, é um setor não muito valorizado, embora seja também essencial para o pleno funcionamento das unidade. Eu sei que arquivar é uma técnica e, por isso mesmo, consegui trazer para o Carlos Chagas uma arquivologista da UniRio que fez um diagnóstico e criou algumas rotinas. O resultado é que hoje o arquivo do Carlos Chagas virou referência de guarda de documentações, referência inclusive junto ao arquivo público do Rio de Janeiro. Essas modificações feitas no arquivo e em outros setores deram um grande dinamismo para o faturamento, a internação, os exames, melhorando os fluxos na cadeia de eventos entre os diversos setores do nosso hospital.

Pergunta – O Sr. poderia exemplificar com o caso do atendimento, que é a atividade-fim do hospital?

Max – com certeza, mas antes queria falar de um conceito. Imagine um paciente internado na enfermaria da clínica médica que, após algum tempo, tem alta. Se, por exemplo, eu ficar enrolando pra ligar para os parentes preencherem a papelada de liberação, eu vou perder horas, até porque uma alta médica envolve toda uma equipe, geralmente composta de assistente social, pessoal de enfermagem, mais o contato com o familiar e uma equipe que, após a alta, terá de fazer a limpeza e a desinfecção do leito liberado. A tudo isso se acrescenta, ainda, a tarefa do setor de internação, que terá de selecionar um novo paciente para ocupar o leito que ficou vago. Se, ao contrário, eu puder encurtar todo esse trâmite, então eu reduzirei o tempo de vacância dos leitos do hospital. Para que isso aconteça, porém, todas as equipes devem funcionar de maneira integrada. Felizmente, é isso o que estamos conseguindo aqui no hospital, fazendo a emergência rodar mais rapidamente e permitindo, assim, que os pacientes cheguem ao hospital e tenham um direcionamento. Isso tem de ser complementado com uma agilidade de outros setores. Um laboratório liberando exames com mais rapidez, um raio-x e uma tomografia feitas de imediato, por exemplo, contribuem de forma decisiva para melhorar ainda mais o atendimento aos  pacientes nessa cadeia de eventos.

Pergunta – quais são os resultados palpáveis dessa dinâmica no Carlos Chagas?

Max – vou te dar mais um exemplo. Aqui no Hospital, quando pacientes eram trazidos pelo corpo de bombeiros, muitas vezes as macas ficavam presas, à espera da internação. A partir de novembro de 2012, quando implementamos o modelo de gestão a que já me referi, ganhamos agilidade e, desde então, não temos mais macas presas aqui. Esse fato, por si só, nos está permitindo devolver mais rapidamente as ambulâncias dos bombeiros de volta às ruas, a fim de atenderem à população. É algo muito significativo, na medida em que passamos a imobilizar as ambulâncias por menos tempo.

Pergunta – servidores e usuários do Carlos Chagas têm manifestado preocupação com a situação da Mamografia. Como fica a questão da mamografia?

Max – a cooperativa que estava ali instalada está acabando, mas quero assegurar aos servidores e aos usuários do Carlos Chagas que a Mamografia não vai acabar porque a Secretaria Estadual de Saúde já tem proposta de repor os profissionais afastados. A Mamografia é muito importante e queria deixar isso claro para servidores e usuários. 

Pergunta – como proporcionar aos pacientes e usuários do SUS uma melhoria no acesso à medicina de média e alta complexidades, para que usuários não fiquem meses à espera de exames e consultas?

Max – eu não entendo medicina como exame. Eu entendo medicina como a relação do médico com o doente. O problema, para mim, não está na demora do exame, mas na preparação e qualificação do médico, na saúde básica, na definição do que consideramos referência em saúde. Não adianta alguém passar na emergência, um médico pedir uma tomografia e esse alguém ficar com o pedido de exame na mão, rodando o Rio de Janeiro, para depois pegar o resultado do exame e não saber quem vai olhar esse exame. Infelizmente, existe um conceito difundido entre as pessoas, e que tem relação com aquilo que dá dinheiro e lucro, que concebe um bom tratamento como sinônimo de exames poderosos, laboratório pesados etc. É uma visão errada porque, antes de se falar em exames, o mais importante é um atendimento humanizado na saúde, preocupado verdadeiramente em cuidar do doente. Uma vez fui convidado a conhecer uma experiência na cidade de Campo Verde (MT). Ali você tinha um posto de saúde a cada número de habitantes. Ali o médico tinha a lista das famílias que ele tinha de visitar. Se o médico daquele posto resolvesse pedir um exame, mesmo que esse exame demorasse, os pacientes tinham ao menos com quem falar. E essa pessoa com quem os pacientes podiam conversar era o médico que os tratava numa relação contínua e humanizada. Médico que poderia até mesmo substituir um exame por outro ou mudar o rumo do tratamento a partir dessa relação essencial.  Veja bem. O exame é um caminho para o diagnóstico, mas quem faz diagnóstico é o médico, não é o exame. Quando existe essa relação humanizada e contínua, consegue-se, inclusive, realizar exames com mais consciência porque, a partir dessa relação, o médico tem oportunidade de decidir sobre a melhor terapêutica, com resultados muito melhores para o paciente. Essa é a diferença.

 






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