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Geral  

IV Marcha das Vadias ocupa Av. Atlântica e repudia toda violência contra a mulher

11/08/2014

IV Marcha das Vadias foi do Posto 5 (Copacabana) ao Leme, para dizer 'não' a todeas as formas de violência e discriminação contra a mulher na sociedade brasileira
Foto: Fernando França

Da Redação do Sindsprev/RJ
Por André Pelliccione

Irreverência, bom humor e uma ácida crítica a todas as formas de discriminação contra a mulher marcaram a IV Marcha das Vadias, realizada no último sábado (9/08), em Copacabana. Concentradas inicialmente no posto 5, onde leram o manifesto da IV Marcha, as manifestantes seguiram em passeata pela Av. Atlântica, em direção ao Leme, não sem antes criticar o excessivo aparato policial (3 camburões da tropa de choque e 2 convencionais) deslocado para ‘acompanhar’ o evento. Presença tida como mais uma tentativa de ‘intimidação’, por parte do Estado, contra os movimentos sociais.

“A marcha é sempre o momento de chamarmos a atenção, é quando você vê quantas pessoas estão realmente dispostas a ocupar as ruas. A partir da marcha é que as coisas são discutidas, com a possibilidade de colocar na pauta da mídia os temas que debatemos, como a legalização do aborto e o direito que temos de dispor de nosso próprio corpo, entre outros”, afirmou a estudante Mariana Vita, que entende ser a legalização do aborto uma questão de saúde pública: “O aborto ilegal é a terceira causa de morte no Nordeste e a primeira causa de morte materna no Brasil. O pior é que as mulheres nessa situação ainda são criminalizadas. Então, legalizar o aborto é algo lógico para evitar essas mortes. É uma questão de saúde pública”, completou.

Irreverência e criatividade X truculência da PM

Além da irreverência, a IV Marcha das Vadias foi marcada por extrema criatividade, sobretudo nos cartazes, a maioria deles escrita a mão e com dizeres como: ‘lugar de mulher é onde ela quiser’; ‘meu cú é laico’; ‘teu machismo bate na minha pomba e gira’; e ‘sofrida, mas não me Khalo’, este último em referência à pintora e revolucionária mexicana Frida Khalo. Criatividade que também vista nas músicas que embalaram toda a marcha: ‘ei, ei, ei, ao longo dos anos me transformei. Fui santa, fui bruxa, mas não me calei’.

Na altura da rua Miguel Lemos, contudo, quando a marcha tentou fechar por completo a Av. Atlântica, PMs do Batalhão de Choque empurraram as manifestantes com grande violência, ameaçando-as com spray de pimenta e lançadores de bala de borracha. A resposta veio na forma de novos cânticos, mas com duras críticas à atuação da polícia: ‘tem que acabar, tem que acabar, eu quero o fim da Polícia Militar’; ‘sem hipocrisia, essa polícia mata pobre todo dia’, gritaram as manifestantes.

Cerca de 30 minutos após a primeira agressão por parte dos PMs, novo incidente. Desta vez, quando a professora Karina Duarte, que fotografava a marcha, questionou a tentativa dos PMs de reduzirem ainda mais o espaço da manifestação na Av. Atlântica. “Temos o direito de ficar aqui. Temos o direito de nos manifestarmos. Eles [os PMs] não vão nos calar”, disse Karina, indignada com a postura intimidatória dos policiais.

Não à criminalização das mulheres

Carregando um cartaz no qual afirmava estar aprendendo a luta israelense ‘Krav Magá’ para se defender de estupros, a professora universitária Elizabeth Sara Lewis disse o que espera da Marcha. “O ato de hoje é importante sobretudo para explicar às pessoas que as mulheres não são e nunca devem ser culpadas ou criminalizadas pela violência sexual que sofrem. Para que nunca mais achem que uma mulher deve ser estuprada porque usa saia curta ou porque está na rua até altas horas da noite. Para que vejam que a mulher não deve sofrer violência de espécie alguma, em nenhuma situação”, disse ela, para quem o estupro de mulheres negras e pobres traz a discriminação racial e de classe como componentes adicionais.

Também portando cartaz com referência a estupros, a militante Alessandra Primo de Moraes criticou a violência contra mulheres especialmente nas periferias das grandes cidades. “Mulheres todos os dias são violentadas e espancadas nas baixadas, em comunidades pobres. São mulheres negras e pobres, em sua maioria. Pra piorar, as estatísticas atuais são meramente quantitativas e não avaliam a superposição de preconceitos que está por trás dessas violências, muitas vezes praticadas por policiais”, disse, em referência a estatística do Ministério da Justiça, de 2013, segundo a qual 50 mil mulheres são estupradas por ano no Brasil.

Manifesto repudia todas as formas de opressão

Lido em voz alta no início da IV Marcha das Vadias, o manifesto deste ano afirmou a necessidade de um vigoroso combate a todas as formas de opressão, como machismo, racismo, lesbofobia, homofobia, transfobia, bifobia, exclusão das pessoas com deficiência (ou capacitismo), violência de classe e outras. Também afirmou o repúdio das mulheres a toda tentativa de controlarem sua sexualidade e seus corpos, rechaçando ainda as tentativas do Estado de marginalizar e criminalizar a prostituição e propondo, em substituição a tais práticas, que a prostituição seja regulamentada. Quanto ao termo 'vadias', o manifesto é direto ao situá-lo no contexto da discriminação sofrida pelas mulheres, quando diz:

'Somos chamadas de “vadias” nos espaços em que circulamos porque vivemos numa sociedade machista, racista e centrada na heterossexualidade, que quer controlar os nossos corpos'.

Em relação ao aborto, o manifesto repudiou a revogação da Portaria nº 415/2014, do Ministério da Saúde, que reafirmava e regulamentava os princípios de humanização, qualidade e segurança do atendimento aos casos de aborto legal no SUS.

I Marcha das Vadias aconteceu em 2011

A primeira Marcha das Vadias aconteceu em janeiro de 2011, na Universidade de Toronto, Canadá, após o policial Michael Sanguinetti falar sobre abusos sexuais ocorridos no interior da Universidade. Na época, o policial disse que “as mulheres deviam evitar se vestir como vadias, para não serem vítimas”. O argumento de Sanguinetti teve repercussão mundial e, como reação, surgiu a “Marcha das Vadias”.

No Rio de Janeiro, a primeira marcha aconteceu em Copacabana, em 2011, reunindo cerca de 500 pessoas. Em 2012 já eram 1.500 pessoas. No ano seguinte (2013), cinco mil pessoas fizeram a marcha.

A Marcha é formada por pessoas que se identificam com a defesa dos direitos sexuais e reprodutivos e com a luta por justiça social, sendo apartidária. 






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