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Geral  

Leão Etíope do Meier é polo alternativo de cultura que atrai público de toda a cidade

18/08/2014

Praça Agripino Grieco, no Méier, lotada na noite do último domingo (17/08), com show de Geraldo Junior e os Virtuais, organizado pelo Leão Etíope do Méier: cultura na rua
Foto: Fernando França

Da Redação do Sindsprev/RJ
Por André Pelliccione

Para os organizadores do ‘Leão Etíope do Méier’, cultura ‘se faz mesmo nas ruas, bares, praças, vielas e terreiros dessa nossa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro’.  Para eles, é como na letra de Vandré (Pra não dizer que não falei das flores): ‘quem sabe faz a hora’. E como.

Foi pensando assim que, em janeiro deste ano, ocuparam a praça Agripino Grieco, no Méier, para, uma vez ao mês, promover espetáculos alternativos de música, teatro e poesia, exibições de filmes e debates, atraindo um público ávido por atividades desse tipo, sobretudo na zona norte, região da cidade tradicionalmente  ‘esquecida’ pelas secretarias municipal e estadual de cultura ou por qualquer outro órgão de fomento.

Com o crescimento do público nos eventos, contudo, desde maio as atividades passaram a ser semanais, sempre aos sábados e domingos. No dia 17/08, a reportagem do Sindsprev/RJ foi conferir as iniciativas do ‘Leão Etíope’, acompanhando de perto a apresentação de ‘Geraldo Junior e os Virtuais’. “O fato de estarmos fazendo esses eventos aqui, na praça, sem qualquer apoio oficial, já é uma forma de questionarmos as políticas das secretarias de cultura e levarmos as pessoas à reflexão. Aqui é assim, na raça, passando o chapéu e contando com o apoio de outros grupos de cultura, como o Coletivo Circular, das meninas que vendem tecidos, caldinhos e cachacinha durante os eventos, o Cineclube Atlântico Negro e o Coletivo Norte Comum, um dos mais influentes na zona norte”, explica Pedro Gomes Rajão, produtor cultural do Leão Etíope e DJ de música africana. Segundo ele, outros grupos culturais e coletivos já se dispõem a utilizar a Agripino Grieco para suas atividades. “Para mim, esse é o maior legado, encorajar as pessoas a ocuparem os espaços que pertencem a elas mesmas e que estavam subutilizados há até bem pouco tempo”, completa.

Críticas às secretarias de cultura

Membro do Coletivo ‘Norte Comum’, Carlos Meijuero destacou o caráter alternativo de iniciativas como a do Leão. “Os moradores da zona norte continuam reféns de atividades realizadas no centro ou na zona sul, tendo de se deslocar para essas áreas quando querem consumir cultura ou mesmo apresentar algum trabalho. Mas atividades como essas na Agripino Grieco mostram que é possível realizar eventos gratuitos de qualidade e de caráter popular”, disse.

Clique aqui e veja parte das entrevistas no show de Geraldo Junior no Leão Etíope

Do lado do público, a iniciativa é não apenas bem-vinda, como já atrai pessoas de outros bairros e regiões da cidade. “Venho aqui na intenção de contribuir para um movimento de resistência, pois é muito difícil termos um espaço na zona norte com atividades desse tipo. Já tinha vindo antes. A verdade é que a secretaria municipal de cultura não dá conta desse movimento dos artistas de rua, que tocam no metrô, nos trens, em pontos como a Praça XV. É importante fomentar a cultura popular, sem palcos, sem divisórias, promovendo o contato direto dos artistas com o público”, afirmou a servidora pública Virginia Maria Campos de Figueiredo, moradora de Vila Isabel.
 
Morador de Laranjeiras e pela primeira vez na Praça Agripino Grieco desde que o Leão Etíope começou a promover os eventos, o produtor cultural Julio Barroso celebrou a iniciativa como promissora. “A coisa mais importante é que não esperamos mais apoio institucional. Acho importante que bandas e grupos de cultura se apresentem aqui na zona norte. Na Baixada Fluminense, por exemplo, há um movimento de novos compositores de samba que não recebe qualquer apoio ou subvenção, mas quer espaços para mostrar seus trabalhos. Em casos como esse os produtores devem se unir, formar um grande coletivo e pleitear espaço. Isso é fazer política de cultura”, disse.

Destaque para Sound System, Negro Léo e palestra com Luiz Antonio Simas

Na conversa com o Sindsprev/RJ, Pedro Gomes Rajão apontou o que, em sua opinião, foram alguns dos destaques que já se apresentaram na praça. “Tivemos, dia 16/08, um grande baile, o Bangarang Sound System, que foi excelente. Em outras ocasiões se apresentaram o grupo Morrandas e Negro Léo, um músico bem peculiar do Rio de Janeiro, que faz um som experimental fugindo a qualquer formato convencional de show. Também destaco o evento do dia 3 de agosto, sobre o grande Candeia, que teve palestra do professor Luiz Antônio Simas [autor do livro ‘Pedrinhas Miudinhas – Ensaios sobre ruas, aldeias e terreiros] e presença da filha do grande compositor. No próximo sábado (23/08), a partir das 16h, será apresentada a peça ‘Loucura sim, mas tem seu método’ pelo grupo ‘Teatro de Dyonises’. Estão todos convidados”, frisa Rajão.

Localizada no início da rua Dias da Cruz, a praça Agripino Grieco tem um anfiteatro bem iluminado, ideal para as atividades realizadas pelo Leão Etíope.

Geraldo Júnior: côco, xaxado, baião e música eletrônica

Natural de Juazeiro do Norte e com uma veia poética de fazer inveja até mesmo a artistas já consagrados na grande mídia, como Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho, o cearense Geraldo Junior levantou, literalmente, o público que lotou a praça Agripino Grieco no dia 17/08 (um domingo), quando desfilou seu original trabalho mesclando influências nordestinas com música eletrônica e performance no palco. “Às vezes faço um baião, um xaxado, um reisado, um côco, mas com instrumentos sintetizados e convencionais ao mesmo tempo. Tô num momento de muita pesquisa em busca de novos sons”, explicou ele, na conversa com a reportagem do Sindsprev/RJ, logo após ‘passar o som’ com sua banda: “Tocar aqui é bom porque estamos em contato direto com o público, sem os atravessadores que espremem o seu trabalho de uma forma que muitas vezes faz você perder a essência. Aqui, ao contrário, temos toda a liberdade. As casas de show, ao contrário, estão muito complicadas atualmente”.

Além de cantar, Geraldo toca percussão e flauta. No show do dia 17/08, as músicas foram acompanhadas de projeções num telão postado atrás da banda. Com três CDs já gravados, ele prepara o quarto (Forró Eletrônico) para breve e diz que ficou sabendo da existência do Leão Etíope por ‘meios independentes’ de comunicação. A programação de eventos do Leão Etíope pode ser encontrada no Facebook do grupo (Leão Etíope do Méier).



Espaço Cultural Leão Etíope

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- Foto: Fernando de França



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