Home
|
|
|
|
|

| Saúde Federal | Saúde Estadual | Saúde Municipal | INSS | MPS | Funasa | DRT | PSF ACS ACE | Ações Judiciais | Comunitário | Política | Economia | Cultura | Geral | Galeria de Fotos | Links | Erramos 30/05/2019 15/05/2019 14/05/2019 03/05/2019 10/04/2019
Geral  

‘História do país é quase toda contada pela música’, afirma Alexandre Garnizé

17/11/2014

Alexandre Garnizé, ao centro, dando aula durante a oficina que apresentou na Uerj
Foto: Fernando França
Texto: André Pelliccione

Criador do grupo Abayomi e músico brasileiro de trajetória reconhecida internacionalmente, o percussionista Alexandre Garnizé (foto) foi uma das atrações nas oficinas realizadas durante o I Seminário Fela Kuti da Uerj, entre 13 e 17 de outubro. Após a oficina, realizada na Concha Acústica da universidade, ele falou ao Jornal do Sindsprev/RJ sobre as linhas gerais de seu trabalho.

Jornal do Sindsprev/RJ – quais são os principais elementos que compõem o seu trabalho e a sua música?

Alexandre Garnizé – minha música traz, na verdade, a percussão que fala das raízes de matrizes africanas. A tradição do maracatu, por exemplo, é toda do Candomblé e acho que a música do Fela tem um pouco disso, dessa ligação. O Afrobeat citava alguns orixás, como xangô, exu. Na realidade, eu vinculei essas coisas ao som do Fela porque o maracatu, assim como o som do Fela, é uma música de persistência e resistência.

JS - sobre essa vinculação aos orixás do Candomblé. Como se dá?

Alexandre Garnizé – primeiramente, é preciso saber que cada nação de maracatu de Pernambuco tem uma batida diferente, assim como as escolas de samba do Rio de Janeiro. Então, geralmente essas escolas se baseiam no Candomblé, de onde tiram todas as batidas. A batida da União da Ilha, por exemplo, tem relação com Iansã. O caixa da Mocidade Independente, por outro lado, é o aguerê de Oxossi. Aí eu faço essa mesma relação dentro do Maracatu.

JS - você tem percorrido vários países com o seu trabalho. Como têm sido essas viagens?

Alexandre Garnizé - tenho um grupo chamado ‘Abayomi’. Recentemente, cheguei da África (Senegal), onde fui homenageado. Também estive na Europa para fazer workshops e continuo viajando por outros países para divulgar a música brasileira, com raízes entre África e Brasil. Minha intenção é continuar fazendo isto. Em 2013 eu ganhei o prêmio de Arte Negra da Funarte. A contrapartida para o recebimento do prêmio foi o meu compromisso de realizar uma oficina na comunidade da Maré, o que vou fazer em breve.

JS - você utiliza instrumentos não-convencionais?

Alexandre Garnizé - sim. Mas também utilizo instrumentos convencionais. O fato é que combino os dois tipos de instrumentos nas minhas músicas, como forma de obter melhores sons. Esse é o caminho.

JS - você fez um comentário, durante a oficina na Concha Acústica da Uerj, dizendo que ‘não faz barulho’, mas ‘faz música’, em resposta à possibilidade de reclamação por parte da Prefeitura do Campus. Por quê?

Alexandre Garnizé - eu disse isso porque, na sociedade, existe um comportamento preconceituoso contra o fato de tocar tambor na rua. Antigamente isso era classificado pejorativamente como ‘coisa de negro e favelado’, numa atitude discriminatória. Mas o que as pessoas precisam perceber é que a história do país é quase toda contada pela música, até porque esses tambores aqui têm 400 anos de vida. O fato, infelizmente, é que ainda encontramos barreiras visíveis no campus da Uerj. Porém, a música quebrou essa risca e terminamos a oficina bem. 






     Voltar

Ir para o topo | Envie esta página para um amigo | © SINDSPREV 2007  |  Desenvolvido por Spacetec