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Geral  

Servidores: massacre no México não pode ficar impune

19/11/2014

Da Redação do Sindsprev/RJ
Por Hélcio Duarte Filho

Cerca de 7.500 quilômetros e oito países separam o Consulado do México no Rio de Janeiro da Escola Normal Rural Raúl Isidro Burgos, em Ayotzinapa, onde estudavam 43 jovens desaparecidos na noite de 26 de setembro deste ano.  Mas para a representação de sindicatos de profissionais da educação que foi ao consulado expressar indignação com o crime e solidariedade ao povo mexicano, distância e fronteiras nacionais são secundárias nesse caso.

O ato ocorreu na terça-feira (18), à tarde. “O que nos une é a defesa da escola pública e o legítimo direito de manifestação e expressão da classe trabalhadora”, disse, à reportagem, a servidora Sonia Lucio, professora do Serviço Social da UFF (Universidade Federal Fluminense) e dirigente da Aduff, o sindicato dos docentes da universidade.  “Os governos querem nos calar usando todo tipo de armas. Temos que denunciar, para que não se alastre mais, isso pode acontecer com qualquer um de nós, com os nossos filhos”, disse.

Os servidores foram ao consulado entregar manifesto no qual condenam os assassinatos, pedem a investigação do caso, a punição dos responsáveis e o fim da repressão contra estudantes e trabalhadores do México. Um funcionário do local alegou que a consulesa, María Cristina de la Garza Sandoval, não estava e propôs marcar uma data para entrega do documento – o que deverá acontecer na sexta-feira (21), às 11 horas. Antes, a partir das dez, os sindicatos pretendem fazer nova manifestação em frente ao consulado, que fica na rua Machado de Assis 20, no Flamengo, na zona sul carioca.

‘Criminalização em toda América Latina’

O massacre no México ocorreu quando estudantes que se dirigiam a um ato público em Iguala, no estado de Guerrero, foram interceptados por policiais do governo municipal. Seis pessoas foram mortas, das quais três eram estudantes, 25 ficaram feridas e 43 desapareceram sob a guarda da polícia local – o caso desencadeou uma onda nacional de protestos. Algumas semanas depois, a Procuradoria-Geral da República do México disse ter informações de que os estudantes foram mortos e os corpos, queimados.

Guerrero é um estado do sudoeste mexicano com cerca de 3,4 milhões de habitantes, cuja principal atividade econômica é o turismo. Os protestos se alastraram pelo país, mas é ali que são mais intensos. Faz poucos dias, o secretário de governo, Michel Ángel Chong, disse em uma reunião com mais de cem empresários, que se queixavam de prejuízos causados pelas manifestações, que aumentará a repressão a atos que as forças de segurança considerem ‘violentos’, segundo informou o jornalista Lourival Santanna, enviado pelo jornal “O Estado de São Paulo” à região.

“É a mesma lógica presente em toda América Latina: diante das vozes que clamam por mudanças, os governos vêm apostando na via das repressões”, criticou Roberto Leher, professor da Faculdade de Educação da UFRJ (Universidade Federal do Rio de janeiro), citando, como exemplo, o que ocorreu no Brasil nos protestos de junho de 2013.  Enquanto segurava um retrado impresso numa folha de papel do estudante Magdaleno Rubén Lauro Villegas, de 19 anos, uma das vítimas do massacre de Iguala, Leher ressalta a importância de demonstrar solidariedade. “Foram estudantes que lutavam pela educação pública. Que as autoridades do México saibam que o mundo todo está vigilante, não permitiremos que [a impunidade] de Tlatelolco se repita com Ayotzinapa”, disse, referindo-se ao massacre de estimados 300 manifestantes na Cidade do México, a maioria estudantes, em 2 de outubro de 1968, por forças militares do então presidente Gustavo Díaz Ordaz Bolaños, a dez dias dos Jogos Olímpicos que aconteceriam naquela capital.

Governo brasileiro não se manifesta

Para Marinalva Silva Oliveira, 1ª vice-presidente do Andes-SN, as manifestações no Brasil e no mundo reforçam a solidariedade da classe trabalhadora e o combate à criminalização dos movimentos sociais. É também uma forma de pressionar o governo central do México a apurar o caso.  “Era uma luta por educação pública e de qualidade e foram [massacrados], foi uma atrocidade”, disse.

O direito à vida e a luta contra violação dos direitos humanos levaram ao ato a argentina Fernanda Kilduff, doutoranda do Serviço Social na UFRJ. “Os estudantes eram politizados e estavam se organizando por seu direito ao estudo e foram mortos e torturados. É fundamental que esses atos se repliquem por toda a América Latina e no Mundo”, defendeu a estudante.

Na avaliação de Júlio Condaque, professor de história e representante da coordenação da CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular) na atividade, o que ocorreu no México foi um “crime de estado” e os organismos internacionais precisam se posicionar, assim como o governo brasileiro, que até o momento não se pronunciou sobre o caso.  “É a criminalização internacional dos movimentos [socais]”, disse Júlio, que também é funcionário do Sindsprev/RJ.






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