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Geral  

Neste 19 de abril, lembremos o criminoso extermínio dos indígenas brasileiros

19/04/2016

Indígenas protestam em Brasília contra a PEC 215, que passa ao Congresso Nacional o poder de demarcar suas terras
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Da Redação do Sindsprev/RJ
Por André Pelliccione

Nesta terça-feira (Dia do Índio - 19 de abril), a secretaria de gênero, raça e etnia do Sindsprev/RJ lembra que, muito mais que datas e demagogias governamentais, os indígenas brasileiros querem mesmo é ver respeitado o seu direito de viverem em paz em suas terras e reservas, sem serem constantemente agredidos, perseguidos e assassinados por grileiros, latifundiários e empresas, como continua a ocorrer no Brasil e que infelizmente vem se intensificando nos últimos anos. Os indígenas do Brasil também não querem mais ver suas lutas, causas e reivindicações serem apropriadas e utilizadas por ONGs (Organizações Não-Governamentais) nacionais e estrangeiras, muitas delas a serviço de interesses criminosos e inconfessáveis.

Sob atual governo (Dilma Rousseff – PT), têm crescido exponencialmente os casos de assassinatos de índios no campo e de invasões de suas reservas, sendo um dos mais conhecidos o da Raposa Serra do Sol, em Roraima, constantemente ameaçada por milícias de grileiros e fazendeiros. Tudo sob a mais completa omissão da administração federal e de governos estaduais, conforme denúncias de instituições como o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT), entre outras.

Afora o extermínio físico, os indígenas brasileiros sofrem há mais de cinco séculos um intenso e bárbaro processo de extermínio cultural, iniciado com a colonização portuguesa, num processo que primeiro descaracterizou por completo suas culturas para, depois, absorvê-las em nome da ‘cristandade’. Com isso, perdeu-se um imenso patrimônio cultural e étnico construído pelos cerca de 6 milhões de indígenas que, distribuídos por milhares de tribos, habitavam o Brasil quando as caravelas portuguesas aqui chegaram para invadir o nosso território e roubar nossas riquezas.

Durante o reinado de D. José I (1750-1777), seu ministro, o Marquês de Pombal, expulsou os Jesuítas do Brasil,  promovendo em seguida uma reforma do ensino que tinha, como uma de suas principais medidas, a proibição da chamada Língua Geral (Tupi) e a imposição da Língua Portuguesa como idioma oficial da Colônia.

O genocídio (físico e cultural) dos indígenas brasileiros seguiu nos séculos posteriores com novas epidemias, desgaste no trabalho escravo e extermínio pelas guerras, nas quais índios eram aliciados de suas tribos e levados a guerrear contra tribos tidas como inimigas. Expediente utilizado, inclusive, nas bandeiras em busca de ouro realizadas nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso.

No período da colonização, embora tenham resistido à escravidão e contado com a proteção momentânea da Companhia de Jesus, os índios brasileiros, como os negros africanos, sempre foram tratados como subumanos em nossa formação social colonial. Fato que infelizmente, guardadas as devidas proporções e considerando as diferenças de contextos históricos, perdura até os dias atuais. Uma das provas mais cabais dessa 'continuidade' foi o assassinato do índio Galdino Jesus dos Santos, da tribo Caramuru-Paraguaçu, queimado vivo em Brasília por cinco cinco jovens de classe média alta, quando dormia. O crime aconteceu em 1997.

A nível imaginário, e não real, a representação dos índios brasileiros começou a mudar sómente após a proclamação da independência, no século XIX, quando, em busca de afirmar a identidade do novo país que surgia, agora separado de Portugual, a literatura brasileira inaugurou uma corrente (indianismo) cujo expoente mais conhecido foi, sem dúvida, o escritor romântico José de Alencar (1829-1877). Sua obra seminal, ‘O Guarani’, conta a história de um indiozinho, Peri, em suas aventuras com a família de Dom Antônio de Mariz, cuja filha (Ceci) ele salva de um dilúvio provocado pelo transbordamento do Rio Paquequer. O Peri representado em ‘O Guarani’ é um índio fabulado, obediente,  submisso, adorador e protetor de seus amos portugueses. O índio, em última instância, tão desejado pelas elites dirigentes do país, que, em sua tradição autoritária e excludente, jamais admitiram quaisquer questionamentos por parte das populações colonizadas, sempre tratando a tribo e a senzala (caso dos negros escravos) como ‘casos de polícia’ a serem brutalmente reprimidos.

Lutemos para que o 19 de abril não seja, nunca mais, uma data infame e demagógica de mera lembrança do que restou de nossos valorosos ancestrais indígenas. Guarani, Ticuna, Caingangue, Macuxi, Terena, Guajajara, Xavante, Ianomami, presente!






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