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Geral  

Família de idosa que morreu no Azevedo Lima vai processar hospital por negligência

24/11/2016

 

 

 

 

A idosa Vera Lúcia Figueiredo Manhães, na foto, à direita, com a filha Patrícia Figueiredo. Família vai processar o Estado por negligência
Foto: álbum de família

 

Da Redação do Sindsprev/RJ

A família de Vera Lúcia Figueiredo Manhães (foto), de 68 anos, vai ingressar na Justiça contra o Hospital Estadual Azevedo Lima, em Niterói, por negligência médica no atendimento da idosa, que faleceu em 14 de outubro deste ano, três dias após dar entrada naquela unidade com uma fratura do fêmur. A paciente tinha indicação de cirurgia imediata.

Cerca de 15 dias após o falecimento, a reportagem do Sindsprev/RJ conversou com a filha de Vera Lúcia, a psicóloga Patrícia Figueiredo Manhães dos Santos, sobre os problemas ocorridos durante o atendimento e internação da idosa, que fraturou o fêmur na manhã do dia 11 de outubro, após tropeçar e cair num desnível da calçada em frente ao número 177 da Praia de Icaraí (Condomínio do Edifício Álvares de Azevedo), ao lado da Praça Getúlio Vargas (Niterói).

Socorrida pelo Corpo de Bombeiros, Vera Lúcia deu entrada no Hospital Azevedo Lima às 8h do dia 11/10, sendo levada para a chamada ‘sala vermelha’, onde, após avaliação inicial, foi transferida para a ‘sala verde’ e, no fim da tarde, levada para a enfermaria feminina para aguardar a cirurgia. “Nessa altura — diz Patrícia —, minha mãe já tinha sido submetida a uma tomografia por meio da qual foi confirmada a necessidade de cirurgia imediata. Entretanto, o hospital teve seu centro cirúrgico fechado a partir da quarta-feira [12/10], por motivo de não estar cumprindo seus pagamentos com as empresas que fornecem material e equipamentos necessários às cirurgias. Durante todo o período que esteve internada, a paciente foi medicada com dipirona e tramal, não tendo sido administrado um medicamento conhecido como anticoagulante, que serve para evitar que a gordura que existe dentro dos ossos, no momento em que esses quebram, passe para a corrente sanguínea e provoque a embolia pulmonar”. No dia seguinte à internação, 12 de outubro, Vera Lúcia começou então a ser submetida aos exames pré-operatórios, finalizando-os no mesmo dia. Nesse momento, faltava apenas o risco cirúrgico, que é realizado pela cardiologia.

Segundo Patrícia, Vera Lúcia sentiu fortes dores durante todo o tempo em que ficou na sala verde, fato que a levou a solicitar ao ortopedista de plantão na emergência que submetesse sua mãe a uma tomografia da coluna. O referido médico, porém, inicialmente negou-se a fazer o exame solicitado. Mas, depois de muita insistência de Patrícia, resolveu pedir o exame, realizado no dia 11 de outubro, enquanto a idose estava na sala verde. 

Centro cirúrgico fechado

Na quarta-feira (12/10), Vera Lúcia foi examinada pelo ortopedista de plantão, que solicitou exames pré-operatórios como eletrocardiograma, hemograma e raio-X. A paciente, no entanto, continuava com dor, o que levou Patrícia a também relatar o assunto ao Serviço Social do Hospital. Mas foi no dia seguinte (quinta-feira 13) que toda a negligência do atendimento no Hospital e a sucessão de absurdos se fez presente. “Naquela quinta-feira, fui à sala dos médicos perguntar quais seriam os próximos passos, uma vez que minha mãe já havia sido submetida aos exames pré-operatórios. Aí, uma pessoa de nome Denise, lotada no setor administrativo do Hospital, me falou que o coordenador da ortopedia, Dr. Otílio, passaria visita à minha mãe. Denise também me disse que o centro cirúrgico estava fechado naquele dia, embora, menos de 48 horas antes, eu tivesse sido informada de que estava funcionando. Além do impacto dessa notícia, fiquei chocada ao constatar que o Dr. Otílio não examinou direito a minha mãe. Na verdade, ele sequer levantou o lençol que a cobria, limitando-se a solicitar o risco cirúrgico. Quando o questionei sobre o fechamento do centro cirúrgico, o Dr. Otílio respondeu que ‘era um problema administrativo’ e que talvez reabrissem o setor no dia seguinte”, completou Patrícia.

De acordo com ela, na tarde dessa mesma quinta-feira 13 sua mãe voltou a passar mal, com falta de ar e crise de ansiedade. “Então me disseram que minha mãe teria de ser colocada numa maca para ser levada até a sala vermelha, pois só havia um médico no momento, e que este se encontrava na sala vermelha”. A filha da paciente conseguiu, após criar desconforto na sala dos médicos e por ‘ajuda divina’, que o Dr Tarciso e um outro médico fossem até a enfermaria olhá-la. Ao chegarem lá, encontraram a Drª Michele, que acabara de chegar para responder sobre o risco cirúrgico da Vera.
 
“O que aconteceu foi um total absurdo, mas que seria apenas o primeiro de uma sequência de absurdos ainda maiores e inimagináveis. Digo isto porque a cardiologista Drª Michele, após avaliar minha mãe, afirmou que ela estava taquicárdica, com pressão baixa, descorada, gelada, recomendando que fosse levada imediatamente para a sala vermelha, pois algo estava acontecendo internamente e que lá ela teria médicos 24h olhando-a e podendo realizar os exames necessários. Tudo isso na presença do Dr. Tarcísio, responsável pela emergência, e de mais um médico cujo nome não anotei. Pouquíssimo tempo após minha mãe ser transferida da enfermaria para a sala vermelha, no entanto, fui informada de que ela seria trazida de volta à enfermaria. Aí não entendi nada e questionei o Dr. Tarcísio, que limitou-se a dizer 1que a médica da sala vermelha sabia o que estava fazendo’. Após o ocorrido, fui conversar com a Dra. Michele e perguntei a ela como estava a situação do risco cirúrgico. Michele então me disse que não havia concluído o risco cirúrgico porque, se o tivesse feito, teria que negar, o que para mim atestava o quadro grave de minha mãe. Ainda perguntei a ela sobre a volta repentina de minha mãe para a enfermaria [vindo da sala vermelha], e Michele “também disse que nada poderia fazer”, explica Patrícia, frisando que a Dra. Michele não se dispôs sequer a ir à sala vermelha para nova avaliação de sua mãe, mesmo tendo conhecimento do quadro grave da paciente, uma vez que foi a própria que recomendara a remoção para a sala vermelha.

Segundo Patrícia, naquela quinta-feira 13 sua mãe retornou para a enfermaria em condições melhores. Por volta das 19h, no entanto, o técnico de enfermagem que assumiu o plantão naquele dia tirou a pressão de todos os pacientes da enfermaria, achando os mesmos valores de pressão arterial para todos, no índice de 12 por 8. “Achei aquilo estranho porque seria muita coincidência o fato de a pressão de todos os pacientes dar a mesma coisa. De qualquer forma, fui pra casa às 23h, mesmo sem ver o prontuário onde deveria constar a transferência de minha mãe, de volta da sala vermelha pra enfermaria”, disse ela.

Óbito e negligência no atendimento

Na sexta-feira 14, dia do óbito, ao retornar ao Azevedo Lima, Patrícia foi ver sua mãe e percebeu que ela encontrava-se com dor. Em seguida, resolveu ir à sala dos médicos para saber se o Centro Cirúrgico seria reaberto. Ou seja, se a falta de materiais devido ao não-pagamento de fornecedores por parte do Estado havia sido sanada. Enquanto aguardava para falar com o Dr Marcelo, chefe dos médicos daquele andar, que também iria conversar com outros parentes de pacientes internados, Patrícia foi à enfermaria, onde estava sua mãe, constatando estar ela sem pulso. Uma equipe médica foi imediatamente chamada e a entubaram, sendo transferida imediatamente para a sala vermelha. Foi reanimada a primeira vez, mas outra parada cardíaca ocorreu e seu coração não agüentou, vindo a falecer logo depois. No atestado de óbito constavam as seguintes expressões: ‘causa-mortis: indeterminada. Fratura de fêmur e hipertensão crônica’.

“Para mim houve negligência do Estado. A cirurgia deveria ter sido feita o mais rapidamente possível. Eu não sabia disso, mas qualquer médico sabe. Houve negligência em todos os sentidos, do Hospital e dos médicos. Pra piorar, ninguém nunca me explicou nada. Quando fui pedir cópia do prontuário, não me deram, alegando que só depois do dia 17/11. Além do Hospital, vou processar a prefeitura de Niterói por manter calçadas em péssimo estado, como na praia de Icaraí. Foi ali que minha mãe tropeçou, caiu e quebrou o fêmur. E ali todo dia uma pessoa tropeça e cai. Quero justiça”, concluiu Patrícia.

Para o Sindsprev/RJ, a morte de Vera Lúcia Figueiredo Manhães é a consequência direta das políticas de sucateamento da saúde pública implementadas pelos governos brasileiros nas últimas décadas, prejudicando milhões de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), de norte a sul do país. Políticas que só serão revertidas a partir de uma ampla aliança entre servidores públicos e população usuária, para exigir saúde gratuita, universal e de qualidade para todos.

 

 


 






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