Por Olyntho Contente
Da Redação do Sindsprev/RJ
Os profissionais de saúde do Hospital Francisco da Silva Teles (ex-PAM Irajá) aprovaram, nesta terça-feira (20/07), em assembléia, moção de repúdio contra o deputado Pedro Fernandes (PMDB-RJ), por ter chamado a Polícia Militar para ver atendida uma menina, encaminhada por ele à unidade, no dia 25 de junho, à noite, com dores abdominais. O único pediatra de plantão atendia duas crianças em estado grave, uma delas com derrame pleural, e orientou os pais da menina a aguardarem. O documento será encaminhado à Comissão de Seguridade da Assembléia Legislativa (Alerj) e ao Conselho Distrital de Saúde e exige a contratação de funcionários em número suficiente para garantir o atendimento à população.
Acionado, o deputado exigiu que os três clínicos de plantão atendessem de imediato à criança, sendo informado que ela tinha que entrar na fila, como os demais, ou aguardar o pediatra. Irritado, Pedro Fernandes chamou a polícia. Os PMS chegaram em três carros armados de fuzis. Entraram na sala dos médicos e os levaram à 22ª Delegacia Policial, da Penha, onde foi aberto um procedimento. A atitude do parlamentar e dos policiais só ajudou a agravar a situação, já que, a partir daquele momento, todos os pacientes ficaram sem atendimento.
Retratação
Além da moção de repúdio, os profissionais de saúde do Hospital, exigem que o parlamentar se retrate publicamente pelo constrangimento sofrido pelos médicos e pela atitude arbitrária de chamar a polícia para obrigá-los a dar prioridade à família encaminhada por ele. O diretor do Sindsprev/RJ e da federação nacional (Fenasps), Sidney Castro, acrescentou que Pedro Fernandes vem incitando a população a repetir seu ato e chamar a polícia para prender servidores, quando o atendimento demora, o que se repetiu na terça-feira.
“O deputado ajudaria muito mais à população se cobrasse da Prefeitura a contratação de mais profissionais, já que ele sabe que o número de servidores do PAM Irajá é insuficiente para atender aos pacientes”, afirmou Sidney. Acrescentou que no posto não há neurocirurgiões, anestesistas, ortopedistas, cardiologistas além de serem poucos os pediatras e clínicos. Para Sidney, o deputado está fazendo campanha incitando a população, como se, desta forma, a estivesse defendendo. “Desta forma, trata a todos como bandidos e não resolve o problema que é de déficit de pessoal. Para que se tenha uma idéia, deveriam estar no plantão seis clínicos e seis pediatras e só haviam três clínicos e um pediatra”, frisa o dirigente.